quarta-feira, 1 de junho de 2016

Os fuçangueiros

O fuçangueiro (nome científico: Furásfilas matreirus) é um espécime transversalmente endémico a vários ambientes: filas de repartições públicas, de transportes, de salas de espera em geral e de supermercados em particular. Geralmente de compleição insuspeita, a sua capacidade de disfarce e camuflagem é a sua maior arma contra os seus predadores: as pessoas que respeitam filas e que têm ganas de o pendurar por qualquer parte que este tenha mais saliente (o que depende se for macho ou fêmea). É um bicho bem manhoso, este nosso fuçangueiro (doravante abreviadamente designado por Fufu): o seu dia a dia é passado congeminando e aperfeiçoando estratégias para endrominar o próximo numa fila, passar a perna ao seu semelhante e conseguir aquele último lugar sentado no metro, ou apenas ficar uma fila à frente no cinema, ainda que isso signifique levar com a gorda que enfarda pipocas tipo burro a mastigar favas.

A origem do Fufu remonta ao ano de mil nove e noventa e oito, nessa efeméride que foi a Expo98, que transformou Cabo Ruivo no sítio onde eu apenas tinha ido uma vez na vida - borrada de medo - assistir à gravações do "Ai os homens" em troca de 1700 escudos, naquilo que é hoje uma das zonas nobres da cidade. O Fufu nasceu nas filas do Pavilhão da Suécia, que toda a gente queria visitar porque havia lá um ovo gigante e quente e outro ovo gigante e frio. O Fufu, sempre espertalhão, pensou "Epá, se a malta passa à frente nas filas com bebés de carrinho, enfio o meu Tozé, que até é enfezadinho, num carrinho, mesmo que o gajo já tenha pelos púbicos e vire Minis mais rápido do que eu consigo dizer "Svediges pavilhonen".

Hoje em dia esta criatura está bastante bem representada na sala de espera dos barcos do Montijo, onde, vendo 75 pessoas à espera, acha que se se deslocar pé ante pé, qual sniper, preenchendo buraquinho a buraquinho livre, cotovelada daqui, enconstanço genital dali, conseguirá ser mais esperto que todos os outros e entrar primeiro no barco, podendo ter o privilégio máximo - OH SUPREMA EXCITAÇÃO - de escolher o primeiro dos 187 lugares sentados.

A não ser que entretanto se cruze com alguém com mau feitio e uma mala de volumetria considerável e leve com esta no lombo e se veja forçado a ter de escolher - OH SUPREMA HUMILHAÇÃO - de entre apenas 186 lugares sentados, mais coisa menos coisa, que nunca fui boa a matemática.

10 comentários:

  1. Passando eu uma parte considerável do meu tempo em aeroportos (filas para o check-in, filas para embarcar, filas para a casa-de-banho, filas para tudo, portanto), tenho de admitir o meu ódio profundo pelos Fufus, sendo que já me envolvi em várias discussões com alguns deles =p gostei muito de ler isto!

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  2. Diz muito o facto de eu ter lido Minis e ter pensado na namorada do Mickey.... e me ter rido com a piada badalhoca que puderias estar a fazer :(

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    1. Hahahaha. Depois a badalhoca sou eu ;)

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  3. ora aqui está um post como eu gosto, porra. pois eu adoro Fufus. Adoro infernizar-lhes a vida e nunca deixo de os meter no lugar. ou seja, no fundo da fila. #unidaspeloódioocaraçasqueeutambémquerofazerpartedisto

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    1. #entradaaPésjuntosneles #aiquebelotrocadilho #precisamosdegajosnestemovimentoderivadodenãoquerermosestragarasunhas

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  4. #fod*selápam*rdadessagentequenãopossocomelesnematiro

    Infelizmente o "povo" tem cada vez menos valores e menos noção do ridículo. É que dá a sensação que acham que ninguém está a reparar os #fdps.

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    1. Eu acredito piamente que eles acham que todas as restantes pessoas são burras por deixarem espaço entre si. Pessoalmente, gosto de lhes dificultar a vida, faço-o sempre que posso, de preferência envolvendo alguma dor física não incapacitante.

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