terça-feira, 13 de setembro de 2016

Festejando com fedelhos

O tema "festas de aniversário infantis" é recorrente cá no barraco, mais não seja porque chego a ter 163 fins de semana seguidos em que não tenho parança, seguindo a agenda social da minha prole, que é mais agitada do que a das Kardashians. Houve, se bem se lembram, a famosa festa onde o Ruca foi violado, e a minha análise comparativa entre festas de velhos e festas de novos

Desta feita venho proceder a uma reflexão sobre / demonstrar solidariedade para com os animadores de festas de fedelhos. Dei comigo a pensar que entre ter de me vestir de Elsa e aturar uma dúzia de criaturas de meio metro em histeria envergando asas feitas de balões e borrar um pé todo até ao joelho, eu de bom grado receberia a bosta fumegante. Não me entendam mal, gosto moderadamente de crianças com mais açúcar a circular nas veias do que sangue, até foi bastante divertido vê-las em rodinha a guinchar "Já passoouuu!!!" (e eu a pensar, não passou nada, que vocês ainda não faleceram todos. Pronto falecer também não, mas talvez adquirirem uma condição física que vos estrague as cordas vocais de uma forma semi-permanente). Foi até bastante divertido vê-las todas com as caras pintadas menos os meus e pensar "Hahhahha já se lixaram, que vão ficar com as cadeirinhas todas cagadas e eu não". Mas, efetivamente, fazer disto ocupação de fim de semana é que é caso para motivar uma nomeação para Prémio Nobel da Santa Pachorra. Um dia aguenta-se, mas imagino que ao fim de uns quantos fins de semana nos quais a única companhia sejam pequenos índios em choque glicémico o caso mude de figura e, aos primeiros acordes do "Já passoooooou!", os animadores estão bons para subir a uma árvore, arrancar dois galhos e enfiar um em cada olho. 

Mas pronto, as crianças andam felizes, festejam o aniversário e para o ano é rezar para que as personagens sejam outras e a porra da música mude e seja menos irritante. Deixo-vos a belíssima banda sonora do meu domingo, desejando que também a vós vos dê ganas de agarrar numa catana azul glitter e varrer tudo a eito enquanto gritam lançando os mais variadíssimos perdigotos da boca: "Ai já passou, foi?! E agora?! Também te parece que já passou, hein???!!"



Não poderei esquecer de deixar aqui uma palavra de apreço às mães de miúdas: quando penso que gostaria de ter tido uma, lembro-me delas mascaradas de Elsa, pinturas na cara, a chorar pelo facto de uma ter as asas cor de rosa e a outra querer iguais e variadíssimos outros dramas fraturantes. Depois olho para o outro lado e vejo os meus - todos porcos é certo - apenas a jogarem à bola e a distribuírem a ocasional galheta no cachaço um do outro e penso: "Dasse, mais uma meia hora disto e já passou."

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