quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os sanitários são para uso exclusivo da clientela

É minha firme convicção que os responsáveis pela administração da maioria dos estabelecimentos que servem refeições ensandeceram de vez no que toca à proteção das respetivas instalações sanitárias. O que começou por ser apenas uma medida de dissuasão de abusadores depressa se transformou numa cruzada "estabelecimento vs. mijonas", em que o vencedor é geralmente quem está atrás do balcão e faz sua cruzada impedir o esvaziamento das bexigas ou intestinos da clientela. Concedo, acho bem que apenas permitam a utilização dos lavabos aos clientes, senão rapidamente a coisa descambava para sanitário público, mas é com alguma apreensão que constato termos chegado a um ponto de não retorno.

Estou obviamente a referir-me aos pinchavelhos acoplados às chaves dos WC de certos bares/restaurantes. Não quero nomear nenhum, mas um sítio que eu costumo frequentar que começa em Pa e acaba em Guesa, com as letras daria e Portu no meio, entrega, a quem pretenda aliviar-se, um bacamarte gigantesco em forma de tijolo. E, meus amigos, só quem faça regularmente Body Pump com 3,5 Kg no mínimo na faixa de bícipede é que conseguirá transportar o catramolho que lhe passam para a mão e não fazer um xixi logo ali no chão devido ao esforço de arrastar aquele peso monstro.

O que começou, portanto, por ser um porta-chaves normalzinho foi crescendo, crescendo, crescendo, e eu temo pelo dia em que teremos de arrastar uma carcaça de búfalo, uma mesa de snooker ou a ajudante da cozinheira.

Caríssimos, AS 'SSOAS SÓ QUEREM FAZER AS SUAS NECESSIDADES! Não querem contrabandear estupefacientes, nem montar um matadouro ilegal naquele espaço exíguo. Com certeza que também não fazem tenção de pintar hieróglifos na parede com as próprias fezes enquanto entoam cânticos de aleluia a Satã, por isso, não lhes dificultem tanto a vida. Seguramente a sensação que possuem já será desconfortável o bastante sem terem ainda de lhe juntar um catrapázio* com duas toneladas. Tende sensibilidade.

Para terminar, vai daqui uma valente beijoca de solidariedade para a querida senhora, claramente aflitinha e quiçá já soltando umas pinguinhas, que levou agarrada à chave da casa de banho algo do tamanho de uma tenda de campismo com capacidade para 4 adultos e 3 crianças. Pense positivo, Tia Emília, pois se pretendia privacidade, era só enfiar-se na tenda. Talvez para a próxima se lembrem de atracar um Petromax à chave e terá a experiência completa, escusa de ir para uma roulote no Inatel.



* diz que a palavra correta é cartapácio, mas não acho que tenha o impacto que pretendo, lamento.

5 comentários:

  1. ja aprendi qq coisa hoje: que a palavra catrapazio existe e que afinal se escreve catarpacio XD

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  2. (existe na forma escrita alias, sempre a usei quando converso com outros seres humanos mas sempre achei que era calao ahah)

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    1. Serviço público de excelência, Carolina!

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  3. Os meus pais têm um estabelecimento e tiveram de optar por ter o WC das Senhoras fechado, sendo necessário que as ditas peçam a chave. Motivo? Há pessoas muito badalhocas que (peço desculpa pela expressão) iam aliviar-se frequentemente lá e deixavam o WC nojento.

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    1. Rita, eu entendo as razões, obviamente. O que estou a gozar é com o tamanho dos porta-chaves que se veem por aí ;)

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