quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Aflitinha, mas não tanto

Casas de banho portáteis. Só a expressão faz-me vomitar para dentro. As casas de banho portáteis, doravante abreviadamente designadas por "cagatórios de Belzebu", serão provavelmente o objeto mais nojento criado pelo Homem, logo a seguir às barritas de bagas goji com chili. Meus caros, eu borrar-me-ei sem apelo nem agravo para não entrar naquele cubículo do demo. Já fui forçada, em tempos, a abrir a porta de um e a espreitar lá para dentro, e foi o suficiente para eu nunca mais querer repetir a experiência. Um caldo de caca, meus amigos. Uma marinada feita dos dejetos mais inenarráveis de onde, imagino, podem sair monstros mitológicos e arrancar-nos, de um trago, as pernas até às virilhas (ou aos ombros, dependendo do tamanho da boca). Tudo isto porque, tralala, lá ia eu, como sempre, pelas obras do Cais do Sodré (ler peripécias aqui), e o cheiro do cagatório de Belzebu sentia-se de longe: eu esverdeei, e caíram-me sete pestanas e dois anos e meio de vida ao chão. 

Há alguns pormenores a ter em conta, a saber: i) para sermos (aqui uso a primeira pessoa do plural de forma bem livre, já disse que não me apanham lá dentro nem que me expludam os intestinos. Os dois) utentes da divisão dos horrores convém que estejamos suficientemente à vontadinha sabendo estarmos sentados no trono mesmo no meio da rua com chusmas de pessoas a passar à volta, ii) convém não nos lembrarmos dos famosos vídeos em que alguém decide abanar o casinhoto cagalhístico e atirar com aquilo ao chão juntamente com o desgraçado que lá está dentro, que leva banho de fezes, iii) a ingenuidade de se achar que se vai encontrar papel higiénico por usar e que um autoclismo sem água e apenas químico irá corroer a bosta até aquilo cheirar a algo semelhante a limpeza é de tal grau que raia a demência, iv) "ah e tal, se me sair o Euromilhões vou de joelhos até Fátima" qual quê! Sacrifício comme il faut é entrar naquilo no final de uma tarde de verão daquelas de 40 grauzinhos.

Posto isto, vou ali de orelha murcha ter com Mãezinha, já pronta a ouvir um raspanete, que soará a algo do género: "francamente, bem sei que 'cagalhão' era a tua palavra favorita aos 5 anos e continua a ser aos quase-40, mas tens noção dos sinónimos de cocó que usaste em apenas um texto? Olha que há professores teus do ciclo que lêem isto, francamente!"

Mãezinha: desiste. (Emoji do cocó a rir-se com um coraçãozinho a seguir)

Oh o casinhoto do Capeta.

11 comentários:

  1. Oh, pá! Ca nojo!!! Acabei de almoçar! Blhérc.

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  2. Eu trabalhei em ETAR 13 anos, mas concordo contigo!

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    1. Aquilo é uma mini ETAR, bem concentradinha!

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  3. Também não gosto mesmo nada de ir ali... recuso-me! Prefiro fazê-lo ao ar livre!... hehehe

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    1. Eu acho que mais facilmente me agachava a um qualquer cantinho...

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  4. Experimenta entrar numa quando estiveres num estado alcoolicamente feliz... Não sentes (quase) nada xD

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  5. Nota: nunca mais voltar a ler o teu blog enquanto como, sob pena de quase vomitar tudo até ao jantar de natal de há três anos...

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