quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Assobia para o lado e disfarça

Nos últimos dias tenho desenvolvido uma técnica absolutamente impressionante e infalível de apitar à polícia sem que os agentes percebam que fui eu. E agora percebo como é triste a minha vida quando é com este tipo de coisa que me regozijo. Enfim. Sucede que há obras no caminho para o barco, ali entre o Samouco e o cais (cá beijinho Jajões do Samouco. E se houver Jajões do cais, cá beijinho para vós também), obras essas que deixam apenas uma faixa de rodagem para os carros passarem, à vez, tudo isto controlado por um polícia de cada lado munido de walkie-talkie. Ora quem anda de transportes públicos sabe bem que são bichos que se perdem por 1 minuto apenas, fará 4 ou 5, que são os que uma pessoa gasta ali, parada na estrada, numa fila gigantesca (uma fila de trânsito no Samouco, onde é que este mundo vai parar, a seguir teremos Caixas Multibanco lá, querem ver?!), enquanto a fila do lado contrário parece estar sempre a andar.

O que fazer então? Desenvolver uma estratégia que beneficie da natureza irritadiça dos condutores: desatar a apitar. Todómundo sabe que quando apita um português, desatam logo a apitar dois ou três, num exercício parecido com o que os homens fazem regularmente em balneários de comparação de genitália, em versão "a minha buzina é mais sonora que a tua, oh para mim que a primo muito mais prolongada e irritantemente". Mas! Não nos podemos esquecer que não se pode apitar a agentes da autoridade, ainda que estes pareçam estar a dormir, estejam claramente a favorecer as gentes do Montijo e possam estar prestes a ser responsáveis por vocês chegarem ao trabalho com um atraso de meia hora. E é aqui que surge a mestria: só com um dom, a que eu chamo "o disfarçanço à cara podre" é que é possível perpetrar o crime de apitamento ao agente sem sermos autuados. Iremos precisar de: 
1) uns óculos de sol, com lentes assim a atirar para o escuro; 
2) uma buzina bem estridente; 
3) uma valente cara de pau;
4) um grande sorriso. 
A técnica consiste em colocar os óculos na cara, olhar para o horizonte mas pela janela lateral esquerda, como se houvesse passarinhos bem bonitos para observar, premir a buzina com o cotovelo direito assim como quem não quer a coisa, mas de forma firme. Parar a ver se pegou. Se nenhum samouquense acusar o toque, repetir o procedimento. Diz-me a experiência que não é preciso provocar três vezes. À segunda já um molho de condutores raivosos apita que nem loucos. Depois basta apenas ir atiçando esta malta. Sempre olhando pela janela e zinga na buzina desalmadamente. Mas disfarçadamente. Depois, das duas uma: ou isto resulta (o que tem acontecido) e o polícia finalmente manda avançar a nossa fila, passamos e damos um valente sorriso ao senhor agente como quem diz "já me viu estes energúmenos que não percebem que o senhor está com soninho?" ou, no dia em que ele vier com ar de mau multar toda a gente por estar a fazer basqueiro, dizer "eram eles, senhor guarda, eu estava aqui sossegadita da minha vida a contemplar a passaragem. Sabia que o Samouco é localização privilegiada de nidificação de codornizes? Sabia que o nome científico da codorniz é Coturnix coturnix, não acha supimpa"?

6 comentários:

  1. Fresquinha fresquinha... Parece a águinha da Coco Beach! :D

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  2. Achei piada ao estratagema e com isso fiquei a pensar "deves ser fresquinha deves"...

    Mas tudo com respeito!

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    1. Aaaah. Há quem diga que sou fresca, há quem diga que sou só parva. Vai depender muito de a quem perguntares. ;)

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    2. Fiquemo-nos pelo fresca, que eu até me dou bem com a malta da terra da Festa das Salinas! E gosto muito de ir aí jantar umas belas ameijoas de cebolada e uma Sapateira nas noites de calor

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