quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O Carma é uma cabra

Comecemos pelo título: sou tradutora encartada e traduzo a expressão "karma is a bitch" como bem me apetece, e quem manda aqui sou eu.

Agora que isto ficou esclarecido, passemos ao desabafo de hoje. A propósito desta minha crónica na Visão online sobre as obras na zona do Cais do Sodré*, estava o Sô Carma a olhar cá para baixo e pensa: "Olham'esta parvalhona que agora tem a mania que escreve umas postas de pescada. Ai decidiste implicar com as obras fofinhas que pululam que nem bichas desvairadas por toda a capital? Espera aí que já vais ver com quantos paralelepípedos se faz uma calçada portuguesa!" Vai daí, manda uma onda supersónica cá para baixo, mais precisamente para a Rua do Arsenal, onda essa que se deslocou a toda a velocidade e se enganchou num tornozelo meu. Esse mesmo tornozelo foi desgovernado em direção ao meu outro tornozelo, tenho dois deles não sei se sabem, e os dois fizeram uma dança cossaca. Essa dança cossaca subiu-me pernas acima, pernas essas que passaram para uma espécie de break dance, versão só break. A onda supersónica subiu depois uma beca, alastrando-se ao tronco e aos membros superiores que parecia terem sido acometidos de choques elétricos de um bando de enguias que tinham acabado de passar pelo Alqueva, logo vinham carregadinhas. Por fim, a onda supersónica do Carma fez com que um impulso me projetasse em slide voador uns 3,5 metros no meio da rua que tanto critiquei, armada em cronista importante. Eu, o meu ego, uma pasta com documentos, uma mala, um casaco e um saco com pão, tâmaras e framboesas. O telefone, que segurava na mão, pois ia alegremente a ouvir podcasts (deixem-me aqui fazer um aparte e recomendar-vos o "My Dad Wrote a Porno", oiçam, a sério, vão por mim que é galhofa da boa), manteve-se firme e hirto, pois o instinto de proteger um iPhone com menos de 1 mês - graças ao Criador - foi mais forte.

Fui levantada em braços por um casal amoroso de chineses, muito espantados por eu não conseguir parar de rir. Até porque as convulsões do riso não lhes facilitaram a tarefa de içar esta barrica. 

Lição a retirar: não vilipendiar projetos autárquicos, porque o professor Mamadu tem uma avença com o Vereador com o Pelouro da Azucrinação dos Munícipes com Obrazinhas FDP e ambos têm bonequinhos para espetar agulhas, que sacam mal sai um texto que não lhes agrade. Sendo assim, já cá não está quem falou, eu por acaso até gosto muito de comer poeira e outros detritos, bem como de galgar estilhaços de estrada e pular pelo meio de linhas de elétrico esventradas. Oh se gosto.




* reparem que já não está a foto com ar de louca. Agora é só ar de parva.

4 comentários:

  1. O que eu me ri... Só me lembrei de uma véspera de Natal, que decidi ir a correr (Literalmente) ao Continente, e escorreguei na passadeira rolante logo no inicio, e desci o resto sentada e a rir descontroladamente de mim própria... Quando cheguei ao final da passadeira , estavam dois velhotes á espera que eu chegasse ao final da passadeira, para me ajudarem porque pensavam que eu estava magoada, que não sabiam se eu estava a rir se a chorar.. Resultado: levantei-me e tive que me sentar logo a seguir, porque não conseguia parar de rir... de mim própria. Foi hilariante!!!

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    1. Ai, filha, junta-te ao clube. Passo a vida de rabo no chão.

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  2. Durante as obras deviam fazer um seguro de acidentes pessoais a todos os que vivem e trabalham na capital. Tanto para quem ande a pé como de carro, que isto com tanta obra e turista a alugar viatura, conduzir nesta cidade está a tornar-se suicídio!
    Esta foto é mais gira ;-)

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    1. Se eu ganhasse um euro por cada vez que já torci um pé estava quase rica! (ah, e obrigada!)

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