sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Guia prático para atacar estrategicamente a Black Friday

Decidi que, dada a efeméride "Sexta-Feira Escurinha" que me tem deixado sem dormir derivado dos 300 mails por minuto de lojas a incentivar-me ao consumo, fazia sentido recuperar um texto que escrevi em tempos para a NiT e que penso será muito útil para o dia de hoje.

Serve este auxílio abnegado sobretudo para ajudar quem quer atacar em raide lojas com vários pisos e secções. É que as ditas podem ser um verdadeiro puzzle para quem não se encontra munido das armas e táticas militares para uma campanha bem sucedida. No fundo, a ideia é delinear um plano de ação tal como se fôssemos para a guerra. Com a vantagem de podermos escolher o uniforme que mais nos favorece em termos de corte e cor. E de marca também, que isso é muito importante para a motivação das tropas. A diferença é que somos generais de um homem (ou mulher) só, porque a melhor estratégia será mesmo irmos sozinhas(os), sem forjar qualquer tipo de aliança. 

Tratemos agora dos pormenores operacionais.

Passo 1: avançar no terreno em emboscada de cima para baixo. Assim, se esmorecermos, não há como desistir, uma vez que temos mesmo de descer os vários andares se quisermos sair, ou arriscamo-nos a dormir na loja. Pensando bem, com algum distanciamento, isto até nem me parece uma ideia muito má.

Passo 2: ir de barriga cheia para resistirmos a parar para comer uma bucha e assim atrasar as hostilidades. Nesta guerra, aquele blusão de cabedal não espera por nós, e enquanto suprimos a necessidade absolutamente mundana e frívola de nos alimentarmos, já um inimigo de papo cheio avançou pelos flancos e se açambarcou com aquele vestido que tínhamos debaixo de olho para o casamento da prima de Alverca.

Passo 3: não nos deixarmos intimidar pela guerrilha inimiga de usar vozes de comando em altifalantes a convencerem-nos a aproveitar as promoções nas trincheiras, quer dizer, na cave -2. Não passa de uma vil manobra de distração para que andemos para cima e para baixo tipo barata tonta e recuemos no terreno.
Passo 4: se necessário, recorrer a uma lista de compras como no supermercado, em que se substitui o arroz por sapatos, a fruta por brincos e os detergentes por vestidos lápis com gola redonda, ombros estruturados e mangas a três quartos. Tudo em prol de um saque delineado com rigor, já dizia Sun Tzu.
Por último, não esquecer: lançar quando necessário a artilharia pesada, que é para isso que servem as unhas e os dentes. Nesta batalha, vale tudo até arrancar olhos e abocanhar com os caninos peças de roupa agarradas pelas tropas adversárias em época de saldos. Sem misericórdia.
Soldados, se com esta cábula não procederem a um enfeiranço bem jeitoso, em verdade vos digo que não tendes solução. Dedicai-vos em alternativa a atividades menos perigosas e que exijam menos planeamento estratégico, como por exemplo, olaria. Suja é mais, mas não se pode ter tudo.


2 comentários:

  1. Eu não tive hipotese...ao lado do Colombo foi 6ª feita bem escura para estacionar, para ir comprar um papo seco para o lanche, enfim. Para não falar nas sms's e na rádio.
    Com isto ainda me aventurei a comprar coisas no Celeiro.
    Medo.

    http://embuscadafelicidade.blogs.sapo.pt/a-very-black-friday-146468

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