sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O telemóvel, os auriculares e o meu rabo

Passemos já para a moral da história: se não têm bolsos nas calças (nem no casaco) não inventem. Porque não morrerão por ir na rua com os ouvidos descobertos a ouvir a sociedade e inclusivamente proteger-se-ão das situações embaraçosas que poderão resultar da colocação de aparelhos telefónicos demasiado perto do rabo.

Sim, decidi entalar o telemóvel nas costas, amparado pelo elástico das calças que não possuíam bolsos, artefacto que considero imprescindível para a minha existência de ouvinte compulsiva de podcasts. Até aí tudo bem, não fosse o sacana ter descaído, descaído, até se alojar, qual alforreca peçonhenta, por cima do meu rabo. E foi aqui que a coisa descambou, e depressa, para o bizarro, pois esta Boneca que vos fala tinha calças justas, o que complicou o processo de jogar uma mão ao béfe e descolar do dito um iPhone até para o grandote que parecia dizer "Bora lá brincar aos pega-monstros, dona?" Posso afiançar-vos que pelo menos 7 pessoas perto do Cais do Sodré ficaram, no mínimo, intrigadas com a dança aborígene levada a cabo por uma moça com ar relativamente insuspeito, embora despenteada, em que um dos membros superiores carregava alguns sacos e uma pasta de documentos e o outro escarafunchava na própria traseira. Gorada a iniciativa #fuçançoemfiofó, o passo seguinte na estratégia consistiu em puxar pelo fio dos auscultadores. Aqui, outras 5 pessoas visionaram o que lhes pareceu uma moça, bastante despenteada e com ar tresloucado, puxando desalmadamente um fio que aparentemente lhe saía, digamos, do cu. 

O telemóvel entretanto decidiu permitir ser puxado para uma zona mais em flanco bonecal e, ao ter prescindido do apoio da, digamos, prateleira traseira, ficou sem suporte e resvalou pela perna abaixo, ainda dentro das calças. O esticão arrancou os auscultadores dos ouvidos desta vossa serva, que até ao momento não tinha parado de ouvir o Governo Sombra e respetiva análise ao livro do Sócrates. O telemóvel, esse foi aconchegar-se ao nível do tornozelo desta que vos escreve. Que agora teria passar pelo vexame de se curvar e tirar um aparelho electrónico de dentro de uma perna das calças, fio atrelado. Pensei, vou fazer uma manobra à CR7, alço daqui a perna, tenho flexibilidade para a trazer até aos braços e não preciso de me baixar, porque, ARE-HOPS!, agarro o bicho em voo. 

Mas depois acometeu-se-me uma réstia de lucidez e achei que já tinha dado show suficiente por uma década aos frequentadores do Hennessy's e que se as criaturas quisessem espetáculo de variedades, talvez o Politeama fosse mais qualificado para o providenciar.

8 comentários:

  1. Eu não estava presente... Mas pagava para ver!

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    1. Acima de €50 e eu considero.

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    2. É isso que custa uma pint ou duas no Hennessy's?

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    3. Não faço ideia e nem passo lá ao pé outra vez, senão ainda me reconhecem...

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  2. Texto muito bem esgalhado! Dá para visualizar a cena :-)
    Pelo título, por momentos achei que te tinhas dedicado ao running!!! Ahahahahaha!

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    1. "O meu rabo" precisa de running, é um facto.

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  3. O que eu já me ri Boneca! :D

    Não falhou nenhum pormenor! TOP

    Beijinhos e bom fim-de-semana

    ahahhahahahahahahah

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    1. Quem lê assim de repente pensa que presenciaste o espetáculo ;)

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