terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dia de S. Valentim ou algumas considerações sobre a borrasca

O que interessa mesmo-mesmo frisar neste Dia de S. Valentim é o forrobodó que aconteceu em minha habitação, mais propriamente naquele portento de divisão com 30 m2 que é o meu quarto.

Como acho que já sabeis, o meu leito de amor situa-se numa espécie de sótão, e possui duas janelas cuja designação técnica é "daquelas de ladecos" que, ao mínimo vislumbre de chuva, nos fazem sentir os gauleses com medo que o céu nos caia em cima da cabeça. Qualquer aguaceiro é exponencialmente aumentado, qualquer chuvinha parece o dilúvio.


Serve este intróito para contextualizar o facto de, às 4 da manhã, ter chovido uma carga de granizo que mais parecia que Pauliteiros de Miranda de 3 gerações se tinham juntado com os Toca Rufar para um Best Of, não sem antes terem todos chutado ácidos para a veia. Ah, e o recinto era um aquário redondo daqueles que aglomera bem o som em Dolby Surround. No centro do espetáculo - relembro, às 4 da manhã - estava eu, Senhor meu Marido (a recuperar de uma gastroenterite que assolou todos os membros masculinos do agregado e do agregado dos meus pais, #asmulheressãobuérijas #inchemmariconços), e dois gatos bebés absolutamente em pânico por estarem no meio do que seguramente lhes pareceu a máquina de lavar roupa em centrifugação velocidade Mach 3. Rapidamente nos esquecemos do sono e do facto de Máivelho estar preocupado com a possibilidade de um calhau lhe partir a janela e nos concentrámos em tentar acalmar a bicheza felina, completamente eriçada e tresloucada de medo, a tentar enfiar-se debaixo dos nossos cobertores, só espreitando de vez em quando a ver se o Apocalipse já tinha passado. 


A doideira durou quase uma hora, entre tambores, pandeiretas, paus, calhaus e outros instrumentos do demo que S. Pedro decidiu furiosamente chocalhar por cima de S. Francisco de Alcochete. Quando parou, duas crianças dormiam e dois gatos estavam prontos para um novo dia de correria, brincadeira e patadas na cabeça de duas pessoas que apenas gostariam de proceder ao seu constitucionalmente consagrado direito ao sono. A rebaldaria continuou, portanto, no quarto, com gatos em speed a fazer sprints, a puxar fios de candeeiros no geral e a agredir-se mutuamente no particular.


Quando o despertador (rádio) tocou às 7 e um moço com voz feliz desejou "FELIZ DIA DOS NAMORADOS", o calorzinho que senti subir por mim acima não foi amor, não. 


Por tudo isto, é bom que hoje em alguma altura se materializem à minha frente ou Maltesers, ou umas fatias de picanha mal passada, ou aqueles brincos da Swarovski que ando a namorar, senão não respondo por mim. 

11 comentários:

  1. Ahahahahahahahaha!
    A Boneca no seu melhor!

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    1. Ai, senhora, que estou em défice de sono.

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  2. Absolutamente de acordo!
    Compensação exigida! Ou o swarovsky (que raio de nome) ou casa nova!
    Mozi

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  3. Boneca: eu sou fã das suas histórias, do seu humor estranho (como o meu) e do facto de escrever tão bem. Escrever com tanta graça, e ao mesmo tempo saber usar a ortografia, morfologia e sintaxe, não é para todos.:-)

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    1. Aaaaaaw, muito obrigada pelas simpáticas palavras. Cá beijinho!

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    2. Cá beijinho! :-)

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  4. "...mais parecia que Pauliteiros de Miranda de 3 gerações se tinham juntado com os Toca Rufar para um Best Of."
    Tão bom!

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    1. É BOM PORQUE NÃO ESTAVAS NA PLATEIA VIP DO CONCERTO, OH.

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    2. Chiça Boneca! Isso é mesmo falta de sono! Foi boa a comparação que utilizaste, foi espectacular o texto que aqui postaste. Estava a falar do texto, Boneca. Do texto! Não do facto do S. Pedro ter achado por bem mandar-te essa santa chuvinha (se foi o S. Pedro que mandou, é santa sim) que pôs os teus gajos e os teus gatos malucos, sim? Cá beijinho e vai dormir que o teu mal é sono! :D

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    3. TU NÃO ME PROVOQUES, ZABEL, QUE EU ESTOU MALUCA!

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