quarta-feira, 5 de julho de 2017

Compêndio importantíssimo sobre dores

Vou confessar um segredo: adoro títulos megalómanos e absolutamente delirantes, que tendem a induzir o leitor mais incauto em erro. E pronto, era só isto. 

Feito o intróito, cumpre-me informar-vos que o texto de hoje é sobretudo dirigido aos homens. O meu sonho é que, no final destes parágrafos, os gajos se sintam mais elucidados, confiançudos de que conseguirão daqui em diante enfrentar o mundo em geral, as mulheres em particular e os escaravelhos da batata quando os houver.

Homens, gostaria de vos explicar um pouco sobre dores. Vós bem sabeis que temos variadíssimas, tantas quantas há matizes de cor de rosa (sim, há muitos, diz ela enquanto revira os olhos e bufa da boca). As mais conhecidas já nem vale a pena abordar: as do período, as de cabeça, as dos mindinhos quando se dá topadas nas quinas das portas, as dos joelhos apenas porque temos 40 anos, as de cotovelo quando a gorda do segundo esquerdo emagreceu 20 kg e está impecável, as de corno quando a ex-gorda do segundo esquerdo agora veste o XS e nós um S todo esgaçado, enfim, uma cornucópia de dores. Estas são sobejamente vossas conhecidas e já - espero - saberão lidar com elas que nem profissionais (chocolate cura todas elas, sobretudo aquelas folhinhas fininhas de Lindt, negro. E uma pratada de caracóis.). Notem que não referi as de parto, apenas porque essas para mim não são dores, são antes uma experiência de abdução extraterrestre. Só isso explica que 15 dias depois não nos lembremos delas e uns tempos mais tarde aquilo volte a acontecer.

Há, no entanto, uma categoria de dores que não figura em nenhum compêndio científico, não é condignamente estudada, nem figura da bula do paracetamol. Não obstante, mói, dói e causa bastante aporrinhação a quem dela padece, que, de acordo com os últimos estudos estatísticos do INE, é uma fatia da população feminina na ordem dos 78,5%. Mas afinal que dor é essa, porra, pá, que me está aqui a aparecer uma dor de dentes só com a antecipação?! 

São as dores do cabelo!

(*som de disco de vinil a riscar*)





Claro que vocês homens não fazem ideia do que estou a falar, mas tentem seguir a explicação: são aquelas dores que acontecem quando: (1) andamos o dia todo de cabelo apanhado e lá para as 20h tiramos o elástico (2) usamos o risco para um lado umas valentes horas e decidimos passar o cabelo para o lado contrário (3) o vento nos despenteia o cabelo para o lado oposto do dominante (4) um filho decide passar-nos a mão pela cabeça e perturbar a ordem natural da mopa que possuímos no totiço. 

Não vos consigo veicular devidamente o grau desta dor fininha, incomodativa, azucrinante, que irrompe do nosso âmago explodindo qual Eyjafjallajökull, e se instala no cocuruto que nem uma rola parva no poleiro. Emitindo inclusivamente aqueles cu-querrrrrrú, bastante dolorosa e impertinentemente.

Ai, não querem saber? Sendo assim, no próximo episódio de TPM (estas são as piores, porque inclusivamente somos bem janotas a fingi-las) estaremos exponencialmente mais insuportáveis, só para verem o que é bom para a tosse.

6 comentários:

  1. Tanto isto. Dores de cabelo são as dores mais parvas de sempre e, no entanto, doem. As camelas.

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    1. Imaginei que não fosse a única a padecer disto. Mas é que não se consegue que eles levem estas dores a sério, uma vez que nunca as sentiram. São estúpidas, concedo, mas moem que se fartam!

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  2. Isto é que é serviço público :) É que é tal e qual!! E só passam depois de uma pessoa lavar o cabelo!

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    1. E ainda assim dói quando o estás a esfregar!!! 😡

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  3. Dor de cabelo é coisa séria. :) Haja alguém que me entende.

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