segunda-feira, 3 de julho de 2017

Passadiços #3

A dificuldade agora está em escolher que fotos incluir para ilustrar o trajeto dos Passadiços do Paiva propriamente dito. Pura e simplesmente porque é um sítio para lá de maravilhoso, com uma paisagem de cortar a respiração. E por falar em respiração cortada, senhores, eu que não sou propriamente sedentária vi-me grega para fazer todo o trajeto, debaixo de 39 graus. Sobretudo porque deu a filoxera da velocidade a todos, como se tivéssemos medo que, por detrás dos caniços, estivessem aborígenes canibais famintos. Má ideia, tendo em conta que começámos pela parte mais difícil, a que incluía uma subida vertiginosa. 

A andar a direito e com esta paisagem, o início foi bem fácilzinho.
Começámos pelo lado de Espiunca.
Para conseguir tirar esta foto, tive de parar, clicar num segundo e largar a correr
para não ficar para trás a fazer de carro vassoura.

Borrifando-se em mim, lá vai Senhor meu Marido, o único que parecia que
estava num passeiozinho, uma vez que andou na tropa e é rijo e mái não sei o quê.
Faz um ar normalzinho, a olhar para a bela paisagem. Disfarça que
tens uma p&ta de uma bolha no calcanhar e te está a apetecer atirar
para o chão em posição de caju e balir.
Foto tirada dentro de água. Valeram-nos as praias fluviais para nos retemperarmos
e baixarmos a temperatura do corpo, que, desconfio, chegou a bater nos 57º.

Decidimos atravessar uma ponte periclitante, apenas para fazer parvoíces lá em cima.
Parvoíces à velho, claro. Do tipo, andar um pouco mais depressa e guinchar.
Uuhhh, gandas malucos.
Foi aqui que o coração me caiu aos pés: olhei para cima e - já tendo os bofes
de fora há horas - percebi que ainda não tinha feito o pior,
aquela subidazinha fofa ali assinalada.
Quando finalmente cheguei aqui a cima, debaixo de um sol abrasador,
não conseguia respirar normalmente e sentia o coração a bater nos ouvidos.
Achei que ia ter uma síncope cardíaca e me ficava ali estendida para
todo o sempre, amén.
Já o estafermo que ali está de molho, quando chegámos a esta última praia,
estava pronto para fazer mais 300 km de Passadiços. Feitos os 8,5 km para um lado,
foi aqui que cheguei à conclusão que não teria forças para o regresso...
Como se vê, já estava por tudo: saltou a t-shirt e os calções, e pavoneei-me de toalha
enrolada e fato de banho, toda porca, de havaianas na mão.
Pequena Mogli de Alcochete, cujos ténis eram
originalmente pretos.
Após o piquenique em grupeta, que incluiu frango assado com 2 dias e bifes de véspera
dentro de pães, começámos todos a achar que talvez fosse possível fazer tudo
de volta. Afinal de contas, o pior já tinha passado.

E não é que conseguimos?! Todos os 8,5 km de regresso, mas já sem a subida do demo. Para a posteridade ficam frases como "Já me dói o joelho bom", ou "E se comêssemos uma frutinha?", esta última proferida por uma louca cuja mochila possuía um padrão feito das palavras WTF em loop (mas que não foi capaz de soltar uma car$lhada com todas as letras, e oh se eu tentei, Deus meu*) e que achava que uma peça de fruta acamava os quilos de comida que ingeríamos a cada paragem. No regresso, fomos inclusivamente ultrapassados por um coxo, o que muito nos aporrinhou. Ainda tentámos acelerar, mas, ao fim de 23 segundos, capacitámo-nos da nossa condição de alforrecas nojentas e continuámos ao nosso ritmo. Aliás, o nosso estado geral era de tal forma lastimável e digno de pena, que um de nós, após se ter dado conta que lhe tinha entrado uma pedra para dentro do ténis, apenas foi capaz de dizer "Não a tiro, já a entalei entre os dedos, vai aqui bem encaixadinha." 

Fica o registo da proeza, embora a estúpida da app
me tenha roubado quilómetros. 10,8 km, o meu rabo!
Foram pelo menos 17!!!
Já de regresso a casa, a noite acabou assim.
A idade não perdoa, meus caros.
A sorte é que dois dias depois foi feriado:
segundo o registo, apaguei em 2' e dormi ferrada
quase 7 horas. Yayyy! 

Parabéns a todos nós, que conseguimos a façanha de fazer o trajeto completo com a agravante de irmos a rir que nem umas hienas 80% do tempo (parece que alguém se lembrou de incluir uma palhaça no grupo). Os outros 10% foi a tentar respirar e cenas assim muito importantes para a nossa sobrevivência. Os restantes 10% foi a enfardar. E a acamar a comida com uma frutinha. #chalupas #gosto-vosmuito

*Adenda: a asneira mais cabeluda que sai daquela boca impoluta é "caneta". CA-NE-TA. É um caso perdido, vou evangelizar para outras bandas.

8 comentários:

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    1. Também começa por "ca"... é isto que tenho de aturar!

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  2. Ganda Boneca.
    Já fui lá duas vezes, diz que virou tradição de família para festejar a Liberdade que o 25 de Abril nos trouxe, e adoro!
    Para o ano lá estaremos, espero eu.

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    1. Parece-me uma belíssima tradição!

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  3. Soubesse eu que estavas por cá e teria arranjado forma de ver ao vivo e a cores pessoa que tanto me anima os dias com a sua escrita...

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    1. Aaawww ❤️ Cá beijinho!

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    2. E já somos duas arouquenses a dizê-lo! Espero que tenha gostado do passeio, Boneca. Em Arouca, costumamos dizer que quem cá vem, não passa sem cá voltar! :)

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    3. Adorei, e sim, quero muito voltar! Beijinhos

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