sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Atchim, ranhoca e um polvo

Se há atividade que considero incompatível com a boa convivência em transportes públicos é o ataque de espirros. Este fenómeno com origem no Paleolítico, altura em que os nossos antepassados roçavam bastante seus focinhos nas paredes cheias de musgo das cavernas mal arejadas, perturba, incomoda e, no limite, prega valentes cagaços aos demais.

Esta vossa Serva até nem é muito propensa aos ditos, daí que não saiba bem como lidar com eles, sobretudo dada a preocupação de manter uma postura discreta nas viagens fluviais. Ora, se há coisa que não é discreta é um valente ataque de espirros. Até porque a pessoa não vai para nova e não convém fazer aquele número do apertar o nariz para eles não saírem, não vão os bandidos resolver arranjar problemas mais a Sul. Bom, adiante: fui acometida de semelhante achaque espirral que houve gente que achou que um passageiro tinha levado um caniche histérico na viagem. Foram 23-espirros-vinte e três, acompanhados de espasmos involuntários, que tentei em vão conter, mas que o ato de contenção tornou o evento numa espécie de dança de um polvo com epilepsia. Toda eu era tentáculos escorregadios. Apertava de um lado, o espasmo fugia-se-me por outro. Agora pergunto eu: o que devemos controlar primordialmente? O som ou o espasmo? Será melhor um esguicho de ranhoca pelo nariz ou um jato de cuspo pela boca? Decisões, decisões. Deixei-me ir, então, concentrando-me em contar os ditos para depois fazer pirraça a Paizinho, campeão ibérico desta modalidade, que une aos 300 espirros à hora uma berraria capaz de fazer levantar um defunto com 50 anos de tumba. 

Aguentei estoicamente os olhares dos compinchas de barco, posso jurar que vi alguns a tentarem não se rir, terei sentido alguma reprovação quando não consegui controlar um "dasse, car&$%o mais os espirros filhos da..." que soltei (embora baixinho!), e assim se passou um momento agradável. Pelo sim, pelo não, nos próximos dias será melhor apanhar o barco meia hora mais tarde, não vão as pessoas lembrar-se aqui do polvo-caniche.

6 comentários:

  1. Sei bem o que isso é! Tenho rinite alérgica e passo o dia a espirrar. Nunca cheguei aos 23 seguidos, foi só 14 :)

    Volta & Meia
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  2. Não tomes antihistamínicos não... Queres receita? 😆😆

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    1. Oh sôtôra, foi uma vez sem exemplo! Acho que poderá ser alergia ao povo :D

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  3. O senhor meu esposo não sabe espirrar sem ser com 10 malditos à vez. Até lhe dão dores de cabeça. Coitado.
    Já senhor meu pai, atinge decibéis valentes com uns: «AI, AI, AI, AI, AIIIIIII!», por cada espirro.
    Eu sou normalzinha...pelo menos nisso... :) Graças a Deus nosso Senhor...

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