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terça-feira, 30 de maio de 2017

Bem-vindos, fofos vizinhos!

Chegaram vizinhos novos ao nosso andar. Mudaram-se este domingo, e eu temo pela sua sanidade mental. Não propriamente porque terão de conviver com família bonecal, sinalizada na Junta de Freguesia como estafermos chalupas, possuindo inclusivamente todos chip, para que todómundo alcochetano saiba sempre quando estamos, por exemplo, a comer sandes de coirato no Clube de Futebol, de modo que esse todómundo se possa pirar na direção contrária. Não, temo pelos novos vizinhos, porque, benzósdeus, resolveram mudar-se na semana do ano em que S. Francisco de Alcochete fica imprópria para consumo. Já adivinharam qual é, protozoários máilindos de vossa Boneca? Preciso de vos mandar pela enésima vez a este link?

Pois é, estes grandes queridos aqui da frente mudaram-se na semana da Grande Rambóia, do Mijanço na Porta da Garagem, das 430 Largadas de Toiros a horas indecentes e, este ano, do concerto do Jaimão e da Charanga das Fresquinhas, nada mais nada menos do que as...


Festas de Confraternização Camponesa!!!!!!

HELL 
MOTHERFUCKS YEAH FUCKINGS BITCHEEEEEEES



Não quero nem imaginar aquele casal de ar meigo, com dois mini-rebentinhos de chucha, na quinta à noite, todos repimpados já na cama a prepararem-se para se aninhar suavemente nos braços de Orfeu, quando de repente... há largada de touros e de velhas por toda a freguesia (a minha querida Dona A. incluída na secção geriátrica), todas aos gritos a chocalharem as próteses ao som do Jaimão, bandos de adolescentes tresloucados a mamarem jolas nas traseiras das nossas casas e a fazerem cagaçal até de madrugada, com Senhor meu Marido a ameaçar partir rótulas ainda mal formadas e jogar-lhes bacias de cagalhões de gato e também dos filhos, que os produzem em quantidade suficiente para estercar todas as hortas das redondezas, o fogo de artifício, os foguetes de alvorada, a banda filarmónica, os carrosséis, enfim... toda uma doideira para dar as boas-vindas aos inocentes cordeiros sacrificiais acabadinhos de aterrar nesta terra de trolarós. 

Desde já me voluntario para lhes ir bater à porta, oferendando-lhes um cabaz contendo erva gateira, bombocas do Ikea e um corta unhas, e lhes dizer que isto se estranha, mas depois acaba por se entranhar, e que para o ano custa menos. Até lá:



ROCK ON, MAIS AS VELHAS!!!

terça-feira, 16 de maio de 2017

O nosso Salvador

Já demasiada coisa se disse sobre o Festival Eurovisão, por isso, numa atitude extremamente madura, gostaria apenas de me dirigir aos que, mais do que criticarem a música, optaram por gozar com as idiossincrasias do miúdo: 



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Umilhãozinho máilindo de sua Boneca


YYYYYYYYYYYYYYYYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAYYYYYYYYYYYYYY!!!

E não é que este barraco arraçado de pardieiro, antro de estupidez e escatologia, benzido pelas brisas da imbecilidade e da raistapartice, eivado de trungalhunguice e outras javardeiras, atingiu um milhão de visualizações??? POOOOOORRRRRRRRRRRRRA, pá. Obrigada a todos, dos fundilhos do meu âmago.

E para provar o quão* agradecida estou, lanço aqui já um passatempo a comemorar a efeméride. Assim sendo, com a pompa e circunstância merecida (ou seja, estou a ouvir cornetas e rufos dentro da minha cabeça, o que é bom para variar do Despacito e do Salvador Sobral), lanço o...

....

DAR PARA AÍ** UMA CENA TIGRESSE A LEITORES BONECAIS

E em que consiste este Dar Para Aí, nossa musa? Pois que consiste em ofertar uma cena*** tigresse ao vencedor deste Dar Para Aí.

E quais as condições de participação? Fáceis, fáceis: terão de fazer uma declaração de amor ao blogue, para que eu perceba por que razão continuam desse lado, e se vale a pena eu continuar com isto, ou se dou melhor proveito ao tempo, por exemplo, a coçar os refegos. Pode ser um soneto interpolado, uma dissertação científica, uma tese de mestrado, ou singelas linhas que me deixem arrepiada como quando trinco sem querer um cubo de gelo que boia na minha sangria.


* tive um namorado em tempos que ficou ofendido com esta expressão, porque genuína e parvamente achou que lhe estava a chamar canídeo. Enfim, adiante.

** tradução de Giveaway, ora pois.

*** aqui é que reside o giro da coisa: pode ser uma coisa qualquer, desde a cama tigresse dos gatos à qual eles não ligam puto, preferindo deitar-se no caixote da reciclagem (foto aqui), a um penso rápido, a um bidé, eu sei lá. Haja imaginação na altura de atribuir o prémio. Para os 4 homens que me lêem, nada temam: também há muita coisa tigresse supimpa para gajo. Assim de repente, estou a lembrar-me de umas meias que vi. Ah, não, isso era para mulher. Mas eu hei de me lembrar de qualquer coisa, nada temeis!  


Para dar o mote, elevar a fasquia e todos constatarem como os homens também são bem-vindos, compadre decidiu escrever a Ode à Casinha. Como faz parte da empresa, não vai poder participar no concurso, mas consideremo-lo a menção honrosa:


Local de culto esta bela Casinha
Pardieiro de uma Boneca sem igual
Que apesar de ser comadre minha
É dona de uma loucura colossal

Sempre bem limpinha e aprumada
Com o português no local certo
Encaixa (baby) a patroa e a empregada
Agrada ao burro e ao mais esperto

Como um dos grandes contribuidores
Das conversas parvas comó catano
Sou um dos seus mais fiéis seguidores
E, claro, um dos melhores, sem engano 

Apresenta-nos os maluquinhos que atrai
E taras de gente com valentes pancadonas
Descreve o cheiro dos barcos e quem lá vai
E as doideiras que existem noutras zonas

Já lhe conhecemos os jeitos e os trejeitos
Muitas vezes estamos em perfeita comunhão 
Parece que há posts que foram para nós feitos 
Mas já por lá passaram mais de um milhão 

Esta casa tem a porta bem escancarada
São todos amigos os que decidem entrar
É só limpar os pés, não precisam de mais nada,
Apenas se arriscam a querer muito cá voltar.


AH FADIIIIIISTA! 💓

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Não podemos viver sem eles, mas se eles desaparecessem apenas por uns diazitos até era capaz de apreciarmos

Os homens têm idiossincrasias engraçadas. Digo engraçadas para não dizer estúpidas e não entrar logo a pés juntos na primeira frase, perdendo assim os 4 leitores masculinos que possuo, a saber, o compadre, o Jajão samouquense, o Carlitos que só cá vem ler às 4 da manhã porque tem vergonha, e o Miguel Couto. Notem que não incluí nesta vasta lista Senhor meu Marido, porque - como direi - ele se está positivamente cag...marimbando para isto. Menos mal, porque assim posso usá-lo como exemplo e extrapolar para o resto da população masculina. Se bem que se o resto da população masculina envergasse uns glúteos e uns bícepedes e uma peitaça como a de cônjuge bonecal, o mundo seria bem mais gostoso. Mas adiante, que já me perdi no raciocínio e ainda tenho dois episódios do Ouro Verde em que a única coisa que faço é babar ante a visão de Diogo-Morgado-seu-xuxu-venha-cá-à-Boneca-que-não o aleija, o resto é fast forward à bruta para visionar, que isto lá porque uma pessoa já comeu não quer dizer que não possa passar uma vista de olhos pelo menu porque gosto de demonstrar o meu apoio à ficção nacional.

Dizia eu que os homens têm umas particularidades esquisitas. Como a capacidade de armazenar informação sem qualquer utilidade, apetência essa que - na minha modesta opinião - poderia ser mais bem aproveitada noutras situações da vida. Num destes dias estava a dar um resumo de alguns golos emblemáticos do Ronaldo e, obviamente, tinha o restante agregado de olhos colados ao ecrã de TV, ignorando-me ostensivamente. Enquanto isso, o meu homem ia enumerando, um a um, os jogos onde os ditos golos aconteceram, completando a informação com o campeonato em causa e contra que equipa foi. 

Os homens são bichos que se lembram do resultado do Freamunde/Santa Rata de Cima em futsal. E do aniversário em que comprámos a primeira planta, seria pedir muito? Sabem quantos golos marcou um qualquer mânfio contra o Unidos da Venda do Pinheiro na Liga de Hóquei de 1997, mas tá quieto que se lembram que nos recusamos a usar toalhetes íntimos da marca do supermercado. Quem decora marcadores deveria, no mínimo, decorar listas de compras por ordem alfabética!

E depois ainda estranham que saibamos a que coleção e temporada pertence uma determinada peça de roupa, em que loja de que centro comercial a comprámos, o que levávamos vestido nesse dia, quanto pesávamos, com quem fomos e quantos niguiris de salmão enfardámos antes, para termos forças. Se isto não é informação bem mais relevante do que um qualquer golo marcado de cabeça na sequência de um livre a 20 metros originado por um pontapé do não sei quantas que vestia uns calções justos brancos com uma camisola branca com riscas azuis assim de ladecos e umas chuteiras cor de rosa giríssimas, que eu própria seria capaz de conjugar com um fatinho de treino para uma ida ao Colombo num domingo.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Assuntos pungentes

Urge refletirmos em conjunto, enquanto nação, sobre a temática fraturante das pessoas que vão de fones e dão puns, mas como não os ouvem, acham que está tudo bem. Trata-se, portato, de um tema pungente (#badumtsssss). Calhou-me testemunhar esta situação e não ter tido coragem de me insurgir contra o rasgador de ganga. Porque sou uma alforreca inútil, e também porque tive medo de me aproximar demasiado do cogumelo atómico, de ser apanhada no raio de ação do traque, que - todos sabemos - causa hiperpigmentação da pele e problemas de âmbito renal.

Posto isto, permitam-me que vos esclareça - sim, a vós pessoas que enfiam umas cenas nos ouvidos e morrem para o mundo em redor - que o mundo em redor continua a rodar e - à exceção dos cidadãos que efetivamente possuem problemas auditivos - levar com uma saraivada de 25 de abril uns dias após as comemorações não é fixe. Sobretudo quando depois não há a iniciativa catártica de se assumir o ato. Ou sequer um vislumbre de que se sabe que a sonoridade foi ampla e se projetou num raio de pelo menos 6 metros e meio em todas as direções. 

Tenhamos presente, pois, que nem sempre os flatos vêm de pantufas. Às vezes envergam aquelas chancas bem feiosas com sola de madeira, que fazem um cagaçal do demónio nos tacos e incomodam os demais. Se bem que entre as chancas e os jagunços, venha de lá uma manada em fúria calçada com as ditas.

Ah, e cautela, caros castigadores do poliéster! Acaso um destes dias um desses vossos ninjas venha com molho, será tarde de mais quando derem por isso. Quem vos avisa, vosso amigo é. Cá beijinho.  

terça-feira, 25 de abril de 2017

Diário felino #3

Cá vão andando, felinos máilindos de sua proprietária-semi-mãe. Algumas fotos já têm uns meses, porque o tempo passa a voar.

Hoje em dia já só cabe um nesta cama.
Posições parvas a dormir é com Ginjinha Sofia.
Observando pássaros, moscas e a organização
cromática das roupas dos vizinhos em sede de estendal.
Quando tive uma gastroenterite, não saiu do meu lado,
coisa máifofa de sua dona.
E quando tentei adiantar trabalho, obviamente não consegui.
Para quê comprar uma cama tigresse toda supimpona, se
Suas Excelências preferem...
... abancar na cadeira do escritório, ora abraçadinhos...
... ora cada um para seu lado.
E juntos é a palavra de ordem. Aqui, impávidos, observando
Máinovo e Máivelho, que estavam no chão a tentar matar-se.
Máivelho, que é, aliás, apaixonado pelos gatos, passando
horas a afagar-lhes o pelame.
Oh p'ra Cachucho Miguel, de barriga para cima, todo consolado
com o mimo.
A vista que tinha no inverno.
A vista que tenho agora, na primavera (ainda se vê a cicatriz
na barriguinha, minha rica pomponete).

sexta-feira, 21 de abril de 2017

De pata à banda

Quem me segue pelo Instagram já terá seguramente notado algumas fotos da minha mão robóticó-enfaixada. A versão oficial é que andei à porrada com um gang de assaltantes que entraram no meu prédio, salvando todo o agregado familiar, os gatos, três vizinhos e a senhora que limpa as escadas. E ainda fiz Suporte Básico de Vida ao carteiro, mas só com compressões, porque não lhe faria insuflações derivado do seu mal hálito e por ele ser, vá, muito feiinho e eu só salvar a vida a pessoas agradáveis à vista. Reza a versão não oficial que arranjei uma brincadeira qualquer nos tendões e ainda ando em exames para saber o que é. O que é certo é que, sendo eu dextra, a mão direita faz-me, obviamente, muitíssima falta, e é um transtorno enorme que tenha de ter o pulso imobilizado. Sobretudo porque há coisas a fazer e não posso estar sempre a abusar do homem, que é um santo e assumiu quase tudo o possível em casa e com os miúdos e os felinos.

Agora, aqui entre nós que ninguém nos ouve, eu podia abusar mais um bocado dos três homens que por aqui co-habitam e aproveitar para pedir uvas sem grainha à boca, massagens terapêuticas e bilhetes para os Depeche Mode. É que se é para me aproveitar da condição de semi-estropiada, que seja em grande.

Em jeito de conclusão, e sem nada que o justifique, ou então porque ando drogada com anti-inflamatórios e analgésicos, o que me faz adormecer ferrada e babar-me nas mais variadas localizações embaraçosas, cá vai uma modinha, ou lá o que é:

Se tens a pata magoada 
E te recomendaram "não te esforces" 
Recruta a tua cambada
Para te trazer à boca os morfes

Os filhos também servem para isso
Não só para nos aporrinhar
De modos que venha de lá o chouriço 
Com pão e Coca-Cola para acompanhar

Sabem lá vocês o que é ter dores
E nem conseguir mexer a mão 
Bem que me podiam trazer umas flores
E já agora um queijo de Azeitão

Para terminar, meus caros leitores
Deixo-vos aqui um forte abraço
S. Miguel é uma ilha dos Açores 
E há um parque infantil em Sobral de Monte Agraço.


Pulso elástico personalizado aqui para a Muñeca, pá.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Ou engordo ou parto os dentes às velhas (se estas ainda os tiverem)

A minha querida Dona A., que me limpa a pocilga há sensivelmente 15 anos, não tem filtro naquela língua. Não raramente diz - com todo o carinho - "os cabrões dos miúdos têm os quartos todos cheios de Legos no chão. O cabrão do meu neto faz o mesmo, grandes cabrões, que são uns desarrumados." E remata com um "TÓ!", não fosse ela montijense de gema. 

Um destes dias, estava eu a debater-me com um casaco mais justo, quando percebo que ela me observa e brinco:
- Estou gorda, Dona A., já nem entro no casaco!
- Não seja maluca, menina, que está muito bem. Então quer ser mais feia do que o menino Rui? Olhe que as minhas amigas já andam de olho nele, eu é que lhes digo que vocês fazem um casal bonito. Mas elas dizem que ele é mais bonito que a menina.
- Então mas as suas amigas andam a olhar-me para o marido?!
- Sim, quando ele sai com os meninos de manhã, vai tudo à janela do café. Por isso, deixe-se estar assim, porque senão ainda fica sem ele.

Bem, procedamos a uma recensão crítica de toda esta parvoíce e tiremos as respetivas conclusões:
1) Tenho luz verde para enfardar chouriças e grão com mão de vaca como se não houvesse amanhã: é uma questão de salvação do meu casamento, que eu não sabia estar em perigo devido a um bando de sexagenárias tesudas;
2) Pensando bem, as sexagenárias são as piores da escala dos números cardinais: pessoas que apresentem o prefixo "sex" e consigam tirar os dentes deverão seguramente possuir truques que desconheço; 
3) Olha'mas p&tas das velhas, hein? Logo às 8 da manhã no café a fisgarem os homens que passam! No meu tempo, as avós faziam naperons para enfeitar a parte de cima da TV ou para cobrir o rolo de papel higiénico;
4) Tenho de ter uma conversa com Senhor meu Marido, não vá ele andar a desfilar a bambolear-se para as velhas da vizinhança, provocando-as com suas feromonas gostosas de macho alfa procriador, exibindo os meus filhos como troféu de sua virilidade;
5) E se é a própria Dona A., divorciada e quiçá assanhadona, que quer arrefinfar dentadonas em cônjuge bonecal e está só a apalpar terreno a ver se a nossa relação é sólida?! Sendo que "apalpar o terreno" será mesmo o que mais deseja?! Eu bem vejo a fúria com que ela maneja o aspirador, aquilo toda nua deve ser um louco vulcãozinho prestes a entrar em erupção! (*contém o refluxo*)
6) Estou a ter um Flash Gordon com a maluca da outra empregada que tive, que uma vez me disse que estava com calores porque tinha visto o mêhome em tronco nu quando "sem querer" espreitou para dentro do quarto.
7) Já não se fazem senhoras da limpeza como antigamente, daquelas que chegavam, calçavam os nossos chinelos, comiam as nossas últimas fatias de fiambre, limpavam a casa, lavavam os dentes com a nossa escova, passavam a ferro, mamavam-nos os rebuçados de café e iam à sua vidinha!

Em suma, os 60 são os novos 20 no que à badalhoquice geriátrica concerne, por isso, agarrai bem os vossos homens se virem a Brigada Lindor Anatómica a beber meias de leite e a comer torradas à bruta logo pela manhã: seguramente estão a conspirar para vos destruírem o lar e procederem a gang bangs com vossos cônjuges, as porcas. 

Eu cá já estou de olhinhos bem abertos e de garras afiadas. E nem pensar que o deixo sozinho em casa com a condutora assalariada da mopa. É que nunca fiando.

quinta-feira, 30 de março de 2017

LOL

Vou dar-vos uma notícia para a qual, temo, não estejais preparados. Tentai ser fortes. Ora cá vai: há pessoas que verbalizam acrónimos.

Oi?!

Pois há, meus caros. Tenho um destes verbalizadores de acrónimos acoplado ao meu agregado familiar e sou obrigada a sustentá-lo. Acontece que esta pessoa tem desculpa: possui 11 anos, ou seja, é basicamente uma criatura inimputável. A mesma desculpa não terão adultos com pêlos púbicos e ensino básico completo. Quero com isto dizer que não há qualquer motivo plausível para alguém que não sofra de alguma patologia esquisita proferir em voz alta a palavra LOL (que soa a algo como «lóle»). Porque se acham que têm direito a esta imbecilidade, vou passar a exigir que digam algo como "era um café vírgula se faz favor ponto final", "importa-se de me dizer as horas ponto de interrogação". Ou passemos a cantar as siglas. Ou a bater palminhas de cada vez que se recorre a uma figura de estilo. Há imensa palhaçada até bem mais erudita que podemos perpetrar, sem recorrer à verbalização parvinha de acrónimos.

Ai, mas oh Boneca, luz de nossas vidas, que estavam nas trevas até teres por elas adentro entrado, esses teus exemplos também são parvinhos. Olhem, quero cá saber, quem diz é quem é. Bem basta já ter de aturar isto por escrito:

réchetégue mãe sofre.


Dâbliu Tê Éfe, pá.

terça-feira, 28 de março de 2017

Continuação do post anterior

No seguimento da história brilhantemente narrada abaixo, vem-me a felina e procede a este valente desrespeito pela marroquinaria:

Ela pode, porque é fofinha. E tem ligeiramente mais
pelo do que Senhor Meu Marido. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

Carta ao cônjuge mau e castrador

Querido Senhor meu Marido,
Venho por este meio apelar ao teu sentido cívico e bom-senso e explicar-te com toda a paciência e bonomia que as malas que cuidadosa e diariamente deposito em cima das cadeiras da cozinha não se traduzem numa situação tão grave quanto se te afigura. Malas estacionadas em cadeiras só valorizam estas últimas, subindo-lhes inclusivamente a cotação no Nasdaq de Paços de Ferreira. Tantas as cadeiras que gostariam de albergar belíssimas Vuitton, ou Gucci, ou as não menos válidas Muu, e são apenas presenteadas com porcarias de plástico das Modas Carlisabel? Felizes, é o que as nossas cadeiras são! Satisfeitas, é como elas se encontram! Para quê privá-las do toque de pele de boa qualidade? Acaso serão melhores os rabos de Máinovo e Máivelho, cujas erupções, sabe Deus, fazem corar o Vesúvio? Acaso serão mais meritórios os bufunfos peludos de Cachucho Miguel e Ginjinha Sofia?

Concedo, é um assento que estou a ocupar, mas o que é isso ante o visionamento de pequenas malunfas amorosas, de acabamentos perfeitos e cheiro a luxo? Calma lá com os insultos de que eu sou uma badalhoca desarrumada nervos e não te esqueças nunca: fui buscar-te a uma gruta, resgatei-te das roupas compradas pela tua mãe e fiz de ti esse portento de estilo em que te tornaste. Contenho-me para não tacar fogo Permito que albergues aquele blusão de penas com umas riscas brilhantes assim de ladecos de quem passou ao lado de uma carreira de polícia sinaleiro que insistes em manter em nossa habitação - quiçá num esforço de não te esqueceres das tuas origens pindéricas - e que me fere ojólhos e o coração de cada vez que abro o armário. Não que eu esteja a cobrar, eu seria incapaz de te atirar à cara que eras um pequeno jerricã de piroseira, todo tu escorrias azeite (daqueles de mistura que só usamos para cozinhar), meu querido. 

Lembra-te apenas disto: não te metas com as minhas malas. É um aviso que deverás encarar com seriedade. Não sabes do que uma mulher é capaz quando alguém se interpõe entre si e a sua marroquinaria.

Se não me abrilhanta a mobília, pá?


P. S. Voltas a botar alguma das minhas queriduchas no chão por um motivo que não seja algum dos miúdos estar às portas da morte e não respondo por mim. "Precisava de me sentar", pois sim. Que vergonha, pá, um homem desse tamanho.

terça-feira, 21 de março de 2017

Viscosidade, nhecas, ciência em família e um passatempo

A Science4You teve a amabilidade de me enviar uns presentes para a canalhada cá de casa. E, segundo a velha máxima de "quem meus filhos beija, minha boca adoça", quem trata bem pequenos Moglis do agregado é amiguinho. Mal sabiam eles que em tempos frequentei um workshop sobre empreendedorismo em que um dos participantes era precisamente um representante da Science4You e fiquei bastante agradada com a génese desta empresa de brinquedos que, caso não saibam (eu não sabia), é 100% portuguesa.

Ao perceber o que dizia a caixa, "Ciência Viscosa", Máinovo ficou entusiasmadíssimo ante a perspetiva de espalhar nheca por toda a casa. Felizmente, Máivelho tomou as rédeas do assunto, em primeiro lugar porque achei que largar o mini-selvagem com alginato de sódio e corante alimentar seria receita para andar a esfregar o chão, as paredes e os gatos nas próximas duas semanas e também porque, segundo o pequeno, as luvas que vinham no kit cheiravam a puns de doninha. Quase houve pugilato pelos óculos de cientista maluco, mas a coisa acalmou quando se combinou que Máinovo ficaria no papel de observador/árbitro/banda sonora da experiência.

Optámos por começar pelos pega-monstros (à minha insistência, por fazerem parte do meu imaginário) e, em suma, a coisa até correu bem (embora Máinovo tenha ficado convencido que fizeram macacos do nariz). Máivelho ficou sobretudo fascinado com a utilização de corante vermelho, que o fez parecer - e cito - "um serial killer cirurgião, cheio de sangue, bueda fixe".

O kit do Professor Pardal.
O ar de Máinovo: "queria fazer isso, mas não sei ler".
Fazendo macacos do na... perdão, pega-monstros verdes.
Lá lhe demos confiança para botar os óculos e cantar uma musiquinha.
Anatomia de Grey de Alcochete
TCHARÃAAAAAA!
Criei algo perigosamente parecido com ovas de peixe,
o que para quem ama sushi é uma tortura.

Para terminar, devo dizer-vos que tenho também um brinquedo para oferecer à vossa miudagem, ou a um de vós (eu era menina para me atirar a isto, mas não tenho vagar, fiquei-me pelas ovas de sushi): a Ciência dos Perfumes! E o que têm então de fazer? Ora, um like na página de Facebook da Science4You, outro na página aqui do pardieiro (obviamente, tenho a certeza que já têm like, se não, cheiram a puns de doninha) e uma quadra que inclua as palavras filhos, pega-monstros e ciência. Bora lá, têm até ao final do mês, fico a aguardar. Espero que este passatempo seja tão concorrido quanto quando foi para ganharem a lata onde eu punha um post-it de cada vez que dizia uma asneira! 

Oh o prémio! (Haverá por aí a Ciência do Barbeiro?
É que parece que o cabelo de Máivelho foi cortado à pedrada.)

terça-feira, 14 de março de 2017

Dores. Tenho muitas. Assim tantas

Começarei este texto com um mantra, que repetirei até me passarem as dores que só não possuo nas pestanas: "Não mais estarás dois meses sem treinar. Não mais estarás dois meses sem treinar. Não mais estarás dois meses sem treinar, minha grandíssima texuga."

Como já devem ter percebido, estive, mais dia menos dia, dois meses sem botar os cascos no ginásio, por razões várias, entre as quais muito trabalho e uma tremenda camada de preguiça. Preguiça daquela que não me dá no âmbito das mandíbulas, porque, valha-me Deus, se eu comi. Enfardei. Agarrei em queijinhos de ovo da Alcôa, que agora abriu no Chiado, e esfreguei na cara e nos cabelos e nos olhos. O. K., não fiz isso, mas foi só mesmo o que faltou. 

Resultado: o regresso ao ginásio deu-se da forma mais dolorosa que se possa imaginar. Juntei-me a outra lontra (esta ainda uma lontra baby, sem a minha experiência) e lá fomos as duas alegremente fazer uma aula de Body Pump para desenferrujar. 

Acontece que há um santo padroeiro dos desportistas de ginásio: é o São Prudêncio Tibúrcio (como percebem, é a origem da sigla PT), que protege quem treina, mas solta a sua ira contra quem está mais do que quatro dias sem agachar. Vai daí, este santo, lá em cima a ver quantas séries de leg presses a malta aguenta, bate com os olhos nestas duas palhaças, todas contentes, tralala, bora lá fazer uma aulita. Com um raio de poder divino resolve então fazer-lhes a vida negra e transformar-lhes os pesos de 2,5 kg em 3 toneladas. Elas, inocentes, e para não dar parte de fracas perante o resto da turma, resolveram não adaptar o peso à sua condição de quase acamadas, dando uma de valentes, oh para nós que ainda ontem a fingir que lhe demos forte e feio nos burpees e hoje já estamos aqui confiançudas a treinar costas com 6 kg de cada lado da barra. Acontece que, lá de cima, S. PT topa tudo e maltratou as miúdas. A miúda e uma quarentona, pronto. 

Resultado: há quem hoje não se consiga mexer. Há quem tenha lavado a cabeça baixando-a até ao nível dos braços por não conseguir levantá-los. Há quem, na verdade, não esteja assim tão bem lavada. Há quem lhe doa ao respirar. E ao sentar. Há quem tenha começado o dia a trocar mensagens com uma companheira de desgraça cujo conteúdo apenas versava assim:

Apaguei a asneira, por respeito a Mãezinha.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Atão? Ainda posso falar do Cinquenta Sombras?

Meus caros, num verdadeiro exercício de contra-informação, venho por este meio, e com o mau feitio que me é característico, contrariar-vos.Tudo a pensar nos Óscares e eu, pimbas, Cinquenta Sombras Mais Escuras ou lá como se chama o segundo filme da saga Grey, que merecia a nomeação de melhor incentivo à trungalhunguice para pessoas que não têm acesso à Internet, nem TV, nem Netflix, nem mesmo a uma telefonia daquelas a pilhas.

Começo por vos deixar o link para as minhas impressões do primeiro filme, para comprovar como as coisas mudaram dois anos depois: peguem. Depois, uma palavra de lamento pelo atraso da recensão, mas, obviamente, tive de esperar pelas férias dos putos para conseguir ir sozinha com Senhor meu Marido ao cinema. Então, cá vai o que retive:

- Pelo menos este ano pouparam os espetadores aos anúncios semi-porno antes do filme, o que foi uma vitória. Coisinhas normais, como carros, crédito a taxas supimpas e um anúncio da Nos que, se não tivesse o meu querido Nuno Lopes como protagonista, me teria feito arrancar os cabelos da pessoa da frente por ter durado uns 10 minutos;
- Pessoa da frente essa já com os seus 80 anos bem tirados, ladeada pelo que parecia a filha e a neta. E aqui começou a vergonha alheia. Senhores, é o que de mais parecido há em ver pornografia com a avó, pá. Menos! Dei por mim a postos para lhe fazer uma manobra de Heimlich, seguida de 30 compressões e 2 insuflações, jogando-a depois em PLS caso desse uma camueca à velha ante as cenas quase explícitas de amor em oralidade de esforços (se é que me entendem, vamos ver de quantos eufemismos eu serei capaz para não dizer aquela palavra que acho bem feiosa que rima com pirete);
- Já não vamos para novos, e novas preocupações nos surgem ao vislumbrar o moço a esfregá-la com óleo e esparramá-la na cama: é que aquelas nódoas são do camandro para tirar dos lençóis, qual será o produto utilizado, pergunto eu? 
- Outra prova que a idade nos está a afetar: estivemos mais na galhofa do que sossegados a ver o filme. Aliás, aquilo pareceu-me tão pouco sensual que dei por mim a fazer piadas parvas e a rirmos que nem perdidos, como na parte em que ele a manda tirar as cuecas quando estão à mesa de um restaurante: "Olha, assim com um vestido também eu, queria vê-la a fazer aquilo com calças de ganga, pá!" 
- Durante o pedido de casamento, terei alegadamente soltado um "estás a ver como se faz, oh palhaço?" para meu marido, que não prima propriamente pelo romantismo;
- De notar o upgrade não só ao cuecame da protagonista, que passou dos sacos de pão para algo mais compostinho e visualmente menos agressivo, como também à depilação, já sem tufos à vista (terá havido reclamações?);
- Igualmente o upgrade à natureza explícita da coisa: muito contacto quase in your face (HA! Que bela piadola!) de chavascal oral mas na vertente ele-para-ela, porque admito que seria talvez demasiado "pra frentex" uma sinfonia de trombone em dó maior e lá se me ia a velha da fila da frente, que não havia Suporte Básico de Vida que lhe valesse;
- De resto, um bela banda sonora, que não consegui apreciar devidamente derivado da minha própria chinfrineira pipocal: é que OH MEUS AMIGOS!!! Atão ninguém me avisou nestes 40 anos de vida que havia esse manjar dos deuses que são as PIPOCAS MISTAS??!! Foi preciso vir a minha amiga yAna e apresentar às minhas papilas gustativas todo um novo mundo de prazer?! Pois fiquem sabendo, os gemidos e chiadeira que se ouviam no Fórum Montijo não eram do filme, mas das minhas glândulas salivares!
- No final da noite, o filme sempre serviu para apimentar as coisas lá por casa: vesti a minha melhor lingerie, aproximei-me com ar lânguido de meu cônjuge e sussurrei-lhe ao ouvido "Gostoso, vamos replicar aquela cena que o Grey fez à Anastasia?" E ele, já doidão, pergunta-me "Qual?", e eu, a não aguentar de antecipação, respondi, já ofegante, "Aquela em que ele lhe transfere 24 000 euros para a conta!" 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Este post é herege

Como brincar ao Jesus Cristo em 5 passos:
1 - Ser-se acometida por uma valente comichão no âmbito da zona supra-labial e infra-testal;
2 - Estar-se belissimamente maquilhada, com tudo a que se tem direito, não faltando um iluminador bem catita e douradinho;
3 - Dar-se um espirro daqueles que, não estivessem os músculos do soalho pélvico bem trabalhados, com certeza acarretariam uma urgente necessidade de trocar de roupa interior;
4 - Amparar o dito com um braço, como mandam as regras da Direção-Geral de Saúde na pessoa do Dr. Francisco George, em particular, e do bom-senso, em geral;
5 - Esse braço possuir, por estarmos, realmente, em fevereiro, um casaco.

Em verdade vos digo: o Jesus coraria de vergonha ante a nitidez com que a impressão de minha fronha ficou em minha manga, onde se discerniam perfeitamente as bochechinhas, os labiozinhos e até as pestaninhas. Qual Santo Sudário, qual caraças, que nem se percebia bem que cara é que lá estava escarrapachada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

De pernas escancaradas

De volta aos grandes temas da atualidade, meus amigos, como é meu apanágio. Àqueles que nos fazem pôr a mão na consciência, refletir sobre a nossa própria existência e uma outra frase que também acabe em "ência". Este tema fala-me ao coração, porque possuo um camionista dentro de mim (e, já o disse, está alojado ao nível das ancas), que gostaria de sair de quando em vez na hora de coçar variadas comichões em público e sem pudor, de arrotar após beber uma Coca-Cola Zero de penalti (a quantidade de camionistas que bebe Coca-Cola Zero... upa, upa), e - mais importante e fraturante e elefante (aguentem, hoje estou virada para a métrica em rima) - de se sentar badalhocamente.

E em que consiste isso de nos sentarmos badalhocamente, perguntam vocês, já ansiosos ante a perspectiva de saberem o que é sentar-se badalhocamente para depois procederem ao ato de se sentarem badalhocamente daqui para a frente, minha gente intermitente?

É como todos os homens fazem, porra! Os sortudos! Mulheres, parem lá um bocado de limar as unhas e observem os homens à vossa volta. Acaso não estão eles sentados como se no lugar dos tintins tivessem duas comadres que não se falam há anos derivado de uma delas num Natal ter dito que o marido da outra era um bocado matarruano e vai daí a relação nunca mais foi a mesma, ainda que entretanto já tenham enviuvado as duas? Parece, pois parece? Tenho para mim que há mulheres que a parir abrem menos as pernas. Que precisem de refrigerar o tomatal, tudo bem. Agora, caramba, já vi espargatas mais fechadinhas.

Outro exercício: ponham uma mulher no mesmo sítio, na mesma posição. Pois, é uma porca ordinária e está badalhocamente sentada. 

NÃO


DIREITO

PONTO.

E é assim que eu, abaixo-assinada, indignada e peixe-espada, venho por este meio apresentar às mais altas instâncias a seguinte petição:

Juntas pelo direito de sentar badalhocamente
Juntas pelo direito de as pernas escancarar
A minha tia que mora no segundo frente 
As suas partes baixas também gostaria de arejar!

Quem está comigo? E me oferece um ombro amigo? E me limpa o cotão do umbigo?

Unidas venceremos. Agora vou ali deitar-me um pouco, que me está a parecer que comi maionese estragada. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dia de S. Valentim ou algumas considerações sobre a borrasca

O que interessa mesmo-mesmo frisar neste Dia de S. Valentim é o forrobodó que aconteceu em minha habitação, mais propriamente naquele portento de divisão com 30 m2 que é o meu quarto.

Como acho que já sabeis, o meu leito de amor situa-se numa espécie de sótão, e possui duas janelas cuja designação técnica é "daquelas de ladecos" que, ao mínimo vislumbre de chuva, nos fazem sentir os gauleses com medo que o céu nos caia em cima da cabeça. Qualquer aguaceiro é exponencialmente aumentado, qualquer chuvinha parece o dilúvio.


Serve este intróito para contextualizar o facto de, às 4 da manhã, ter chovido uma carga de granizo que mais parecia que Pauliteiros de Miranda de 3 gerações se tinham juntado com os Toca Rufar para um Best Of, não sem antes terem todos chutado ácidos para a veia. Ah, e o recinto era um aquário redondo daqueles que aglomera bem o som em Dolby Surround. No centro do espetáculo - relembro, às 4 da manhã - estava eu, Senhor meu Marido (a recuperar de uma gastroenterite que assolou todos os membros masculinos do agregado e do agregado dos meus pais, #asmulheressãobuérijas #inchemmariconços), e dois gatos bebés absolutamente em pânico por estarem no meio do que seguramente lhes pareceu a máquina de lavar roupa em centrifugação velocidade Mach 3. Rapidamente nos esquecemos do sono e do facto de Máivelho estar preocupado com a possibilidade de um calhau lhe partir a janela e nos concentrámos em tentar acalmar a bicheza felina, completamente eriçada e tresloucada de medo, a tentar enfiar-se debaixo dos nossos cobertores, só espreitando de vez em quando a ver se o Apocalipse já tinha passado. 


A doideira durou quase uma hora, entre tambores, pandeiretas, paus, calhaus e outros instrumentos do demo que S. Pedro decidiu furiosamente chocalhar por cima de S. Francisco de Alcochete. Quando parou, duas crianças dormiam e dois gatos estavam prontos para um novo dia de correria, brincadeira e patadas na cabeça de duas pessoas que apenas gostariam de proceder ao seu constitucionalmente consagrado direito ao sono. A rebaldaria continuou, portanto, no quarto, com gatos em speed a fazer sprints, a puxar fios de candeeiros no geral e a agredir-se mutuamente no particular.


Quando o despertador (rádio) tocou às 7 e um moço com voz feliz desejou "FELIZ DIA DOS NAMORADOS", o calorzinho que senti subir por mim acima não foi amor, não. 


Por tudo isto, é bom que hoje em alguma altura se materializem à minha frente ou Maltesers, ou umas fatias de picanha mal passada, ou aqueles brincos da Swarovski que ando a namorar, senão não respondo por mim. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Uma palavra de repúdio para os géis

Ou para os geles, é como lhes queiram chamar. Repúdio, é o que possuo cá dentro. O meu âmago está eivado de ódio pelo meu gel de banho. Eivadinho como vocês nem imaginam. A vida é, de facto, uma montanha-russa de emoções: num momento estás feliz, de bem com ela, antecipando uma agradável lavagem corporal, no momento seguinte estás semi-estropiada de bruços na banheira, mas não sem antes teres levado com um pesado chuveiro em cheio no lombo. E dois gatos observam-te, impávidos, cabeça tombada para o mesmo lado, comunicando com o olhar "Não sabemos como te dar esta notícia, dona amada, mas estás sozinha em casa e seguramente não seremos nós que te vamos aí socorrer. Até porque estamos aqui a gozar o prato, derivado da beleza de espetáculo acrobático que proporcionaste. Não percebemos é por que foste gastar dinheiro num túnel para felinos, se a fasquia do entretenimento neste agregado familiar já atingiu estes píncaros." (Cachucho Miguel e Ginjinha Sofia são de uma ímpar eloquência com o olhar.)

Caros amigos, eu podia neste momento estar a digitar apenas com dois cotos, semelhante o grau de quase-estropiamento de que padeço. Eu estive a milímetros de ter escavacado furiosamente a cremalheira, fraturado violentamente as duas perninhas que Deus me deu, escangalhado atrozmente o cóccix. E tudo porquê? Porque uma alminha - a quem desde já desejo com todas as forças que me restam que no futuro próximo padeça de um furúnculo bem purulento na nalga esquerda - decidiu que seria modernaço inventar um gel de banho com óleo incorporado. Ai, porque assim hidrata logo. Ai, que as lontras preguiçosas não mais terão cútis que parece lixa, nem essas que não têm pachorra para se barrar de creme e depois vestir o pijama que se vai colar, todo peganhento, à pele, sim, até essas, com esta brilhante invenção, já sairão devidamente moisturizadas de seu banho. (Sim, provavelmente inventei este verbo, mas acho que ganhei esse direito!)

Mas!!! O preço a pagar é elevadíssimo, máfrendes! Demasiado alto para o aporte de hidratação prometido. Acaso me tivessem perguntado: "Doce de nossas vidas, preferes sair do banho já luzidia e macia, ou escorregares na merda do gel que mais parece manteiga no tapete da banheira, tendo alçado as palhetas, arreado com um pé no cabo do chuveiro, arrancando-o do gancho e causando a sua queda desgovernada em cima de teus costados, adicionando a isso também algumas embalagens e frascos que teimas em amontoar à beira da banheira e que resolveram juntar-se ao motim contra a tua pessoa? O que preferias, hein, coisa máilinda e agora máilesionada de seus leitores?"

Eu até vos respondia, mas dói-me demasiado o.. como é que se chama isto aqui de lado? O ego, é isso.


Nota da redação: ainda assim, não sei se bato Senhor meu Marido neste tralho épico.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Beijo na bochecha ou mero encostanço de face?

Hoje traz-me até vós uma temática que me preocupa e, arriscaria dizer, aporrinha valentemente. E o que te aporrinha valentemente, perguntam vocês, já de lágrima no olho, por antecipar uma valente aporrinhação? O que me aporrinha, de facto, valentemente é a dicotomia presente nas relações sociais "arrefinfar um beijo vs. meramente encostar a bochecha" aquando de um cumprimento. Esta é uma problemática ausente das sociedades germânicas, onde apenas se trocam frios e fugazes apertos de mão, dos esquimós, onde apenas se esfrega o nariz, ou das comunidades de lamas sul-americanos, onde uma valente escarreta no meio da testa é o meio comum de cumprimento. A não ser que seja a sogra do lama: essa recebe uma lambadona bem assente na tromba. Isto é que é saber viver, c'um catano, estes camelídeos é que a sabem toda.

Esta situação aporrinha-me, portanto, valentemente, porque não sou muito dada a contacto físico com pessoas em geral. É mesmo assim, não gosto cá de beijinho e nhonhonhó, por mim era tudo corrido a escarreta. Ou vá, a um aceno de mão acompanhado de um "tá-se?" e pronto. Não podendo, e fazendo um esforço de convivência com os demais humanos, sou das que encosta a cara num cumprimento. Acontece que nem toda a gente está no meu cumprimento de onda. E é aqui que entra em cena a valente aporrinhação: uma pessoa, num gesto temerário e de abnegação, dá a cara, e é brindada em sua cútis hidratada e magnificamente maquilhada com um chocho não raramente barulhento e com laivos de humidade. 

BLHÉQUE.

Venho, assim, aproveitar este fórum público com uma audiência de 6 pessoas por dia para ministrar um workshop sobre desnojificação de cumprimentos. Na primeira fila estará Senhor meu Marido (que aprenderá - nem que seja à força, porra - que só poderá perpetrar essa atividade do demo para com sua cônjuge amada), todas as avós e tias-avós do planeta (estudos demonstram que quanto mais velho e com mais bigode, mais babosos e ruidosos são os beijos pespegados em bochecha alheia) e demais interessados que queiram ampliar os seus conhecimentos. O Módulo 1 chamar-se-á "Desumidificação de beiças pré-osculação"; o Módulo 2, com a participação especial de um fisioterapeuta, será designado por "Identificação de potenciais contraturas no pescoço responsáveis pelo não oferecimento da cara", e o Módulo 3 terá exemplos práticos com crash test dummies cujas bochechas serão previamente esfregadas com soda cáustica.

Assim, pessoas babadas na zona infra-ocular, unamo-nos. Oferendemos vouchers para participação no workshop supra, protejamos a nossa epiderme das pessoas de boca voraz e hiperativa. Abaixo os beijos nhenhosos na bochecha! Vivam os meros e delicados encostanços de face! Morte aos fascistas!!! (Pronto, vou ver se me acalmo)