sexta-feira, 30 de junho de 2017

Mãe sofre #113

Na sequência deste post:
- Mãe, sabes, ias ficando com menos um filho, fiquei outra vez trancado na casa de banho!
- Mas já não tínhamos combinado que não voltavas a trancar-te lá dentro? 
- Sim, mas tiraram de lá o vaso...

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Em prol da próstata mole

Se há coisa que me tira o apetite é estar alegremente a comer e ouvir o anúncio do Imodium a falar sobre diarreia. Julgo que os motivos são óbvios. Por outro lado, congratulo-me pelo facto de o nome do medicamento ser, pelo menos, pouco explícito. Passo a explicar: não se chama Stop Cocó d'Esguicho, por exemplo, ou TráváCaganeyrol. Isto porque há marcas que acham que têm de ser bem explícitas, ali mesmo in your face, quiçá por medo que se lhes fuja o público alvo. 

Estou a falar do Prostamol, medicamento que - arrisco dizer - é provavelmente pedido na farmácia qual adolescente pede preservativos: bem baixinho e quando não está mais ninguém. Porque - e vou assim atirar um palpite à maluca - será para quem tem problemas na próstata. Pior, sugere que será para quem é assim a modos que molarengo naquela zona. E ainda que não fosse, que se tratasse de um produto, por hipótese, para as aftas, alguém acreditaria? Não se arranjava um nome mais inócuo, pergunto eu?! Do tipo, Curotretinoína? No limite, Prostatozoário? Haverá alguém que na farmácia vá fazer conversa com os funcionários, naquela atitude típica de reformado sem grandes restrições de tempo "OLHE, MENINA, ERAM QUATRO EMBALAGENS DE PROSTAMOL, QUE EU ESTOU AQUI QUE NÃO ME AGUENTO, VAI PARA TRÊS DIAS QUE ESTA PRÓSTATA MOLE NÃO ME DEIXA DORMIR EM CONDIÇÕES, RAÇA DA PRÓSTATA MOLE, QUE ME APANHA AQUI O LADO ESQUERDO, QUE SÓ EU SEI." "E porque puseste isto em Caps Lock?", perguntam vocês. "Para efeitos de exacerbação da carga dramática da proposição.", respondo eu.

Agora imaginemos uma jovem a pedir uma pílula chamada "Zerobebésparavocê"  ou "Pinábruta Rapid". O tio Hermínio a tentar comprar o "Segurácremalheiradovelho Plus". Um quarentão em plena crise de meia idade a solicitar o "+ do que duas spray". A minha vizinha a barrar-se no creme anti-celulítico "Gordalh-U-ron". A sogra a pedir o "Chalupix".

Enfim, acho que já me fiz entender. Revejam lá isso, que vergonha já é a malta ter partes moles, não precisa de andar a alardear isso aos quatro ventos. Eu incluída, que bem que me poderia ter calhado um creme de corpo chamado "Já teve melhores dias" ou "Antigamente máirijo". Felizmente, a marca que uso foi amiguinha.

domingo, 25 de junho de 2017

Passadiços #2

Se calhar não devia contar que, no carro das mulheres, ninguém sabia que havia um GPS. Por isso recorremos aos telefones, sendo que a rede era a modos que intermitente. Para não dizer que era cocó. Resultado: perdemo-nos 370 vezes, fizemos 457 inversões de marcha e quando a senhora do GPS do telefone nos disse com aquela voz irritante "Chegou ao seu destino" e à nossa frente estava um barraco a cair de podre no fundo de uma rua sem saída com 5 cães raivosos a ladrar e a espumar como se nos quisessem jantar o fémur, a frase que se ouviu foi "Será que Arouca tem Íbis?". 

Várias peripécias depois (inclusivamente termos estado à porta da casa onde iríamos ficar, mas ninguém nos ter aberto a porta, o que nos fez andar mais uma hora às voltas...), chegámos efetivamente ao nosso destino:

A casa seria toda ocupada por nós, embora, à hora a que chegámos,
fosse novamente altura de encher a mula.
Ou seja, descansámos exatamente 47 segundos.

No Zé da Mota, fomos apresentados aos bifes à Alvarenga,
aqui ao lado de um telefone para efeitos de escala. Uma hipótese
para adivinharem o que veio dentro de um saco no final da refeição.
Talvez por isso, alguém terá afirmado: "mesmo que a gente vá andar
17 km, acho que no final da viagem nos vai doer mais os maxilares."

Aqui mostro o bife no seu estado natural, numa foto tirada sem zoom,
em que a banda sonora eram 6 mulheres em histeria.

Oh a bicheza parada ali à nossa frente, no meio da estrada, assim
como quem diz "Quereides passar, porque estaides com pressa
para nos irdes enfardar as primas, é, e depois levardes os restos para amanhã
fazerdes as sandochas para encherdes o bandulho nos Passadiços?!" 

Teria apreciado ficar a contemplar a lua cheia, mas havia quem teimasse
que eu teria de aprender a jogar Poker.
E nem sequer era daquele em que a 'ssoa se despe! Buuuu.

Sorte de principiante ou professores meio chonés,
o que é certo é que ganhei bués de dinheiro. 

À conta deste nível de profissionalismo, deitámo-nos bem
mais tarde do que deveríamos, para quem no dia seguinte
teria de se levantar cedíssimo!

24.º mandamento bonecal

Passadiços #1

Lá foram 12 marmanjos, os auto-denominados "Passadiços da Marmita", em dois carros, homens para um lado, mulheres para o outro, rumo a aventuras loucas. Ou então aventuras moderadamente calmas, que a média de idades era 40, apenas porque levávamos dois miúdos com uma idade que já não existe. Éramos para ser 13, mas houve um que se baldou logo à partida, com uma tendinite onde? No rabo. É assim, não havia desculpa melhor, quando se passa dos 40 já não há vergonha que nos atinja, e o rabo é um sítio como qualquer outro para se possuir maleitas. Para a história das frases imbecis fica a proferida por Senhor meu Marido para o homem da tendinite no cu, a saber "Onde é mesmo a tendinite, na nádega ou no isquio-tibial, meu querido?" 

E lá seguimos viagem, não sem antes, como é apanágio em viagens de pré-terceira idade, alguém se ter vangloriado: "Trouxe Voltaren!"

Primeira paragem: o restaurante Parlamento em Arouca, para enfardar a bela da
posta arouquesa. No meio da refeição, ouviu-se a frase "faz-se um estrugido com
a vagem", que pessoalmente não entendo, mas soa-me a rambóia da boa!
Sobrou tanto que nos deram os restos num saco
do Pingo Doce, para vergonha de alguns. Os mesmos que
provocaram os outros para pedirem para levar os restos.
Seguimos para o Arouca Geopark e subimos as 34785399 escadas
do radar meteorológico, numa vã tentativa de abater as sobremesas.
Houve quem tenha ido de elevador, grandes lontras sem vergonha.

Vista para a aldeia onde fomos visitar o Centro de Interpretação das
Pedras Parideiras, que, no fundo, são umas rochas que "dão à luz" outras pequenas,
num processo explicado aos poucos que se mantiveram acordados.
Havia por lá uma excursão de velhos que se portou mais condignamente.
Neste Centro, o mais interessante foi observar os velhos, de facto. Principalmente a
D. Fernanda, fofa senhora que "perdeu o seu patrão", o que, ainda assim,
não a impediu de se "manear" encosta acima a alta velocidade.

Vista para a Cascata da Frecha da Mizarela, a maior queda de água de Portugal Continental.

Boneca Maria de Deus, a estragar fotos de paisagens
idílicas desde 1976.
Senhor meu Marido, a encandear os autóctones
com seu violento bronze.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Pobres jovens universitários

Um destes dias recebi uma mensagem de uma antiga professora de inglês, que tinha descoberto as minhas crónicas na Visão online. O elogio que me fez e que me deixou babada até ao queixo foi "You sound like a British woman who writes in Portuguese". Dizia-me ela que tinha de tal forma gostado, que levou a crónica intitulada "A palavra acabada em alho" para que os alunos dela a traduzissem na aula. 

Passado o choque das declarações, arrependi-me de não lhe ter pedido o resultado deste exercício absolutamente insano proposto a um grupo de jovens universitários de uma Pós-Graduação em Tradução, cujo único erro foi escolherem este nosso curso coitado. Quer dizer, não bastava o masoquismo de andarem a estudar para tradutores, sabendo que vão ser explorados, das duas uma, ou por agências que vão pedir ao cliente final €0,07 a palavra, pagando-lhes depois €0,02 (nos raros casos em que efetivamente lhes pagarão), ou por serviços estatais, como os tribunais, que os chularão até à medula, pagando-lhes €0,03 por palavra por traduções jurídicas com termos supimpamente técnicos, que lhes serão pagas a 90 dias, na melhor das hipóteses? 

Não me entendam mal, adoro o que faço e sou dos poucos tradutores que têm o privilégio de trabalhar para uma entidade patronal decente, mas quem vem para isto seguramente não almeja uma carreira fulgurante nem riqueza.

Entretanto, vou-me roendo de curiosidade, sobretudo pela tradução do título, a qual, espero sinceramente, não tenha sido "The word ending in garlic". Ou, se foi, que a criatura tenha chumbado.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Divórcios de Santo António

O Vereador da Câmara Municipal de Lisboa com o Pelouro das Efemérides Parvas Que Só Servem Para Irritar Quem Só Quer Ver TV, Digamos, Normalzinha comunicou aos munícipes que se iniciou o prazo de inscrição para os Divórcios de Santo António, que decorrem exatamente um mês após os Casamentos, a saber, no dia 13 de julho. É elegível apenas quem tenha contraído matrimónio no dia 13 de junho e tenha chegado à conclusão que casar com outros 340 marmanjos o/a aleijou emocional e mentalmente de forma irreparável. 

Os restantes critérios de elegibilidade são os seguintes:
a) Alergia e/ou aversão a sardinhas. Exclui-se da presente alínea quem, contudo, possui a habilidade de comer o nobre clupeiforme de faca e garfo;
b) Documento oficial assinado por um psiquiatra inscrito na Ordem alegando insanidade temporária à data do matrimónio antonino;
c) Comprovada incapacidade para lidar psicologicamente com o facto de o seu casamento ter sido transmitido em canal aberto e estar agora disponível para eventuais futuras chantagens;
d) Manifesta inaptidão para cumprir o ponto 4.1 do contrato dos casamentos de S. António, que estabelece que as partes contratantes terão de receber em sua casa, pelo menos trimestralmente, os restantes 340 compinchas de celebração para alegre caturreira envolvendo confeção manual de queijo fresco, sessões de renda de bilros, cultivo de manjericos na marquise e enormes bacanais;
e) Print screen do respetivo perfil nas redes sociais, demonstrando como houve pudor em não partilhar absolutamente nada relacionado com o evento;
f) Comprovativo em como a bebedeira que o/a levou a inscrever-se nos Casamentos de S. António já passou; 
g) Declaração assinada pelo próprio, manifestando profundo arrependimento, anexando programa de sevícias/serviço cívico, em expiação pela palermice perpetrada.

Os interessados devem dirigir-se à secretaria do Departamento das Efemérides Parvas Que Só Servem Para Irritar Quem Só Quer Ver TV, Digamos, Normalzinha, preencher o formulário correspondente e passar pela tesouraria para levar duas lambadonas bem assentes no focinho.